No atual contexto económico e social, associações como a ADECO, que nasceram de um ideal de solidariedade e compromisso comunitário, são cada vez mais raras. Queremos que este ano seja um momento de união da nossa comunidade, garantindo que este projeto continue a crescer como um pilar agregador e promotor do bem-estar coletivo, para que as nossas crianças possam crescer num ambiente de entreajuda, partilha e respeito mútuo, onde cada uma se sinta valorizada e integrada.
A ADECO irá promover vários eventos ao longo do ano escolar 2025/2026 para celebrar o seu 50º aniversário.
Programa:
"50 anos de ADECO: um acto de resistência."
Debate (30 de Maio - Casa do Comum)
Exposição (20 a 31 de Maio - Casa do Comum)
Festa / Almoço (21 de Junho - Adeco)
Ciclo de Conversas: conversas com oradores na área da pedagogia e psicologia infantil, assim como sobre a história da ADECO.
Concertos ao fim da tarde: pequenos momentos proporcionados pelos artistas da Comunidade ADECO
Feiras de brinquedos/roupas em 2ª mão e comidas do mundo, dinamizados por pequenos e graúdos
Rifas comemorativas do 50º aniversário - as receitas revertem para a ADECO.
Arraial "50 anos" (10 de Julho - Adeco)
A organização destes eventos é protagonizada pela direção e por familiares, sócios e amigos da ADECO. Toda a ajuda que a comunidade possa dar é bem-vinda!
Se tiver sugestões ou algo que gostaria de ajudar a organizar, contacte-nos para o e-mail adeco.direcao@gmail.com.
A acontecer:
showcase: PS Lucas (Músico)
Os bilhetes para a cachupa estão esgotados.
O bilhete inclui um almoço confeccionado pela D. Filó e a Maira com o seguinte menu:
- Cachupa (opção vegetariana)
- Sobremesa (fruta)
- 1 bebida
A D. Filó disse que irá confeccionar também esparguete à bolognesa como 2ª opção para o menu criança.
Preço por bilhete:
Adulto: 12€
Criança (até 12 anos): 6€
Solidário: +12€
Os bilhetes para a cachupa estão esgotados.....
Ilustrado por São Miranda (educadora da ADECO entre 1977 e 1987)
P. S. Lucas, pai da Adeco, tem vindo a aperfeiçoar a arte de compor canções há já algum tempo. “In Between”, o seu álbum de estreia a solo, trazia ecos dos mestres modernos da composição — de Cohen a Callahan, de Drake a Brassens — mas com uma assinatura muito própria. O recém-lançado Villains & Chieftains é mais uma revolução silenciosa, que continua a agitar o coração dos seus ouvintes. A música de Lucas emana uma luz que não se encontra em mais lado nenhum, um tom que só aqui se reconhece: parte azul, parte sépia, parte mar, parte terra, parte presente, parte memória, parte silêncio, parte estremecimento.
Natural dos Açores, a meio caminho entre o velho e o novo continente, passou uma longa temporada em Copenhaga antes de regressar à cidade do seu coração: Lisboa, Portugal. Foi a mente por trás do extravagante projeto electro-folk O Experimentar, em 2010, e a metade mais jovem do duo MEDEIROS / LUCAS, autores de uma trilogia aclamada pela crítica composta por Mar Aberto (2015), Terra do Corpo (2016) e Sol de Março (2018).
Para esta apresentação de celebração dos 50 anos da Adeco preparou sobretudo canções em português, com especial foco no repertório tradicional dos Açores.
Eventos passados:
moderação: Francisco Bairrão Ruivo (Historiador)
Ilustraçao: São Miranda
Francisco Bairrão Ruivo, antigo aluno e pai da Adeco, nasceu em 1981. É historiador e investigador do Instituto de História Contemporânea — NOVA/IN2PAST e doutorado em História Contemporânea com a tese «Spinolismo: viragem política e movimentos sociais» (Prémio Fundação Mário Soares-EDP 2014) pela Universidade Nova de Lisboa. Tem-se dedicado sobretudo ao estudo da Revolução de 1974-1975, à história das mobilizações populares, a questões relacionadas com a violência política e aos usos públicos e disputas da memória. Simultaneamente, tem trabalhado em diversos projetos museológicos, televisivos ou cinematográficos.
Quem é o Frederico:
Frederico Lopes é licenciado em Psicologia, mestre em Ciências da Educação, e doutorado em Motricidade Humana. É professor auxiliar convidado no Ispa-Instituto Universitário, no qual desempenha funções de docência no âmbito dos cursos de Educação. Foi também investigador auxiliar da Faculdade de Motricidade Humana na Universidade de Lisboa.
As suas áreas privilegiadas de ação, intervenção e de investigação passam pelo brincar, mobilidade, espaço, e participação das crianças, e focam-se na interdisciplinaridade subjacente ao campo da infância, abarcando o desenvolvimento motor, a psicologia ambiental, a sociologia da infância, a geografia da infância, o planeamento urbano, a arquitetura, as políticas de espaço, e a educação.
Desempenha funções de formador em ações de sensibilização e em oficinas participativas sobre o brincar, espaço e o desenvolvimento e o bem-estar da criança. É também consultor para diferentes entidades e organismos, na criação de espaços de brincar promotores de bem-estar em contexto escolar e em espaços públicos, e no desenvolvimento de projetos de requalificação e de naturalização dos envolvimentos, e de adoção de práticas lúdicas.
Foi cofundador, e é vogal da direção e Brinconauta da "Associação 1,2,3, Macaquinho do Xinês", cuja missão é a defesa e a promoção de espaços e oportunidades para as crianças brincarem livremente nos diferentes contextos do seu quotidiano. Integra o Brincapé, um consórcio formado com a APSI, que tem vindo a realizar intervenções em diferentes bairros e zonas históricas da cidade Lisboa, com o objetivo de criar novas oportunidades para as crianças brincarem na rua e ocuparem com mais autonomia o espaço público .
É membro fundador e presidente da Associação Portuguesa pelo Direito a Brincar-IPA Portugal, representante português na International Play Association (IPA) e membro do conselho internacional da mesma; e co-autor do livro "Brincar em Cascais", republicado pela APEI, com o título "Brincar em Todo Lado".
É pai e marido, e gosta de passar tempo em família e com amigos, usufruir dos espaços verdes, bem como ouvir programas de rádio, ler, escrever canções, cantar e tocar guitarra.
Sinopse:
«O Direito ao Brincar, artigo 31º da Convenção dos Direitos da Criança (CDC), compromete-nos enquanto Comunidade Maior das Crianças, no assegurar de tempo e espaço para que as crianças possam brincar. Contudo, em 2013, as Nações Unidas disponibilizaram o "Comentário Geral nº17 ao Artigo 31º" (CG nº17), visando alertar os governos dos estados-partes que ratificaram a CDC, para uma insuficiência generalizada em termos de valorização e de implementação de ações, na sua adesão ao compromisso veiculado no artigo 31º da CDC.
Ao longo das últimas décadas, em Portugal, à semelhança do que acontece em outros países industrializados, tem-se assistido uma diminuição abrupta do tempo e do espaço para as crianças brincarem no exterior ao longo do quotidiano da criança, com graves prejuízos para a sua saúde, bem-estar e desenvolvimento, quer em contextos educativos, incluindo os dirigidos à 1ª infância, quer no espaço público.
Todavia, o CG nº 17 ao Artigo 31º da CDC relembra-nos daquele que deve ser o leitmotif ético da nossa atuação enquanto adultos e membros da Comunidade Maior da Criança: a remoção das barreiras que impedem as crianças de usufruir de tempo, espaço e de permissão para brincarem em função dos seus interesses e motivações. Para tal, é necessário compreender e aceitar o brincar enquanto comportamento imprevisível, gerado através e na incerteza, gerador de bem-estar, auto-proteção e de adaptação.
Neste seguimento, no âmbito das vivências das crianças nos espaços educativos de creche e de pré-escolar, torna-se particularmente relevante que as equipas pedagógicas de educadores e de auxiliares de educação, legitimadas pelas direções das instituições, e apoiadas pelos pais e encarregados de educação, reconheçam o terreno escolar e educativo enquanto paisagem vibrante de brincar.
Este reconhecimento e aceitação passa pela afirmação de uma Cultura de Brincar na Escola. Para tal, é fundamental uma mobilização conjunta da comunidade educativa em torno de uma generosa provisão de condições, recursos e oportunidades apropriados, que permitam suficiente flexibilidade, imprevisibilidade e segurança para as crianças brincarem e estarem bem.»
Frederico Lopes
Quem é a Inês:
Chamo-me Inês Ricardo. Trabalho em psicologia clínica desde 1996, seguindo em psicoterapia crianças, adolescentes e adultos. Em paralelo à actividade clínica, durante dez anos trabalhei como psicóloga num infantário, tendo tido que abandonar esse lugar, por falta de tempo, quando fui mãe. Sempre tive muitas saudades desse trabalho, pela falta que sentia de habitar uma escola, um lugar da infância, onde inevitavelmente muito se aprende, sempre que temos a possibilidade e disponibilidade de escutar e observar. E quando surgiu esta oportunidade de fazer um trabalho idêntico na Adeco, foi com alegria que abracei este convite. Hoje aqui estou, e fruto de ideias de educadoras e da direção, finalmente pomos em marcha esta ideia de nos encontrarmos numa roda de conversas sobre os temas que a infância nos suscita, seja por aspectos que nos inquietam ou pelo que nos encanta.
O que a Inês quer partilhar connosco:
«A ideia de nos juntarmos a conversar passa, antes de mais, pela imensa curiosidade que este mundo das crianças nos suscita.
E, inspirados no que as crianças nos ensinam, também nós podemos falar - que é como quem diz brincar, que é uma coisa muito importante que os miúdos sabem fazer - e juntos sabermos melhor como viver as dúvidas, as aflições, as alturas em que enquanto pais e educadores nos sentimos perdidos. Conversarmos, ouvirmos outras experiências, partilharmos as nossas inquietações, ajuda a viver mais tranquilamente a sua resolução. Com espaço e tempo. E com a ajuda do saber da psicologia e da pedagogia, do que se conhece acerca do desenvolvimento infantil e da vida emocional na infância.
Um dia ouvi esta conversa maravilhosa entre uma miúda e um miúdo de 5 anos, no recreio no pátio da Adeco:
A menina dizia - “eu não vou convidar X (outra menina de 5 anos) para os meus anos”
O menino - … (aguarda)
A menina - “sabes porquê?”
O menino - “porquê” (isto perante uma menina até um menino de 5 anos sabe que de vez em quando deve dizer uma palavra)
A menina - “porque tenho inveja dela.”
Assim, tão simples, a poder partilhar o que sente, mesmo que não seja bonito. Sorri e fiquei muito mais descansada. Imagino que depois desta partilha a menina pode convidar todos as meninas e meninos que desejava. (a menina que provocava a dita inveja era amiga próxima, estava mesmo a fazer falta um amigo que ouvisse para desenlaçar esta embrulhada e apaziguar o sentir).
Há muitos temas que podem ser eleitos (e estamos receptivos a sugestões), eu tive esta ideia de começar um pouco pelo fim da 1.ª infância (só para trocar um pouco as voltas), para esses últimos anos da fantasia pura, em que realidade e imaginário são ainda fundidos no mundo interno das crianças de 4 e 5 anos.
Como saber distinguir mentira de fantasia
O que fazemos perante um segredo
Os terrores nocturnos são o quê
O que é ‘normal’ ou preocupante numa criança
Como saberemos que estamos a conseguir cuidar, em alturas em que nos afligimos com algo particular
Convidamos todos os que desejarem e puderem a vir na 6.ª, dia 24, pelas 18.30h.»
Inês Ricardo